História

Origem
Cães de tamanho e finalidade semelhantes ao do moderno beagle[a] podem ser encontrados desde a Grécia Antiga,[3] no século V a.C. Xenofonte, nascido por volta de 433 a.C., em seu Tratado Sobre a Caça ou Cynegeticus, refere-se a um cão que caça lebres através do olfato e as segue a pé. Cães de pequeno porte são mencionados na legislação florestal de Canuto, que dispensou-os da portaria que ordenou que todos os cães capazes de abater até um veado deveriam ter uma pata mutilada.[4] Se verdadeiro, essas leis confirmam que cães de tipo beagle estavam presentes na Inglaterra antes de 1016, mas é provável que as leis foram escritas na Idade Média para dar uma sensação de antiguidade e tradição à Lei das Matas.[5]
No século XI, Guilherme, o Conquistador, levou o cão talbot para a Inglaterra. O Talbot era predominantemente branco e lento, derivado do Cão de Santo Humberto, que havia sido desenvolvido no século VIII. Em algum momento os Talbots ingleses foram cruzados com Galgos ingleses dando-lhes mais velocidade.[6] Há muito extinto, o Talbot provavelmente deu origem ao southern hound que, por sua vez, é considerado como um antepassado do moderno Beagle.[b]
Desde os tempos medievais, o termo beagle foi usado como uma descrição genérica para os cães menores, embora estes cães diferissem consideravelmente da raça moderna. Raças de cães pequenos do tipo beagle eram conhecidas desde os tempos de Eduardo II e Henrique VII, visto que ambos tinham matilhas de Glove Beagles, assim chamado desde que eram pequenos o suficiente para caber em uma luva, e a Rainha Elizabete I manteve uma raça conhecida como Pocket Beagle, que tinha entre 20 cm e 23 cm na altura do ombro. Pequena o suficiente para caber em uma "bolsa" ou alforje, que andava junto na caça. Os cães maiores iam presos ao chão, em seguida, os caçadores libertavam os cães pequenos para continuar na perseguição pela vegetação rasteira. Elizabete I se refere aos cães como singing beagles e entretinha os convidados, muitas vezes em sua mesa real, deixando-os os seus pocket beagles pinoetar em meio a seus pratos e copos.[7] Fontes do século XIX se referem a estas raças indistintamente e é possível que os dois nomes se refiram à mesma variedade de pequeno porte. Em Researches into the History of the British Dog, de George Jesse, de 1866, o poeta e escritor do início do século XVII, Gervase Markham, é citado referindo-se ao beagle como pequeno o suficiente para ficar na mão de um homem.[8]
Normas para a pocket beagle foram elaboradas apenas em 1901, essas linhagens genéticas estão agora extintas, embora os criadores modernos tenham tentado recriá-las.[9]
Características
Temperamento
O beagle tem um temperamento calmo e uma disposição moderada. Descrita em vários padrões de raça como "alegre", eles são amáveis e geralmente não são agressivos nem tímidos. Eles gostam de companhia e embora possam ser inicialmente retraídos com estranhos, são facilmente conquistados. Por essa razão, eles não são cães de guarda muito bons, apesar de sua tendência a latir ou uivar quando confrontados com desconhecidos, o que faz deles bons cães de vigília. Em um estudo de 1985 realizado por Ben Hart e Lynette, ao beagle foi dada a mais alta classificação de excitabilidade, juntamente com o yorkshire terrier, cairn terrier, schnauzer miniatura, west highland white terrier e fox terrier.[37][c]
Beagles são inteligentes mas, como resultado de serem criados para longas caças, são obstinados e determinados, o que pode torná-los difíceis de treinar. Eles geralmente são obedientes, mas podem não recordar uma vez que sentirem um aroma e são facilmente distraídos por cheiros ao seu redor. Eles geralmente não se apresentam em provas de obediência; enquanto eles estão atentos, respondem bem ao treinamento pela recompensa do alimento e são ansiosos para agradar, mas são facilmente entediados ou distraídos. A raça é classificada no 72º lugar no livro The Intelligence of Dogs (em português: A Inteligência dos Cães) de Stanley Coren, sendo colocada entre o grupo com o menor grau de inteligência do trabalho/obediência. A escala de Coren, porém, não avalia critérios como independência, entendimento ou criatividade.[38]
Os beagles são excelentes com crianças e essa é uma das razões para terem se tornado animais de estimação populares, mas eles são animais de grupo e podem ser propensos à ansiedade de separação.[39] Nem todos os beagles uivam, mas a maioria late quando confrontado com situações estranhas e alguns ladram quando sentem o cheiro de uma presa em potencial.[40] Eles também geralmente se dão bem com outros cães. Eles não são exigentes no que diz respeito ao exercício; sua resistência inata significa que eles não ficam facilmente cansados, mas também não conseguem se exercitar até a exaustão antes do descanso, embora o exercício regular ajude a evitar o ganho de peso ao qual a raça está sujeita.[41]
Saúde
Geralmente a longevidade dos beagles varia de 10 a 13 anos,[42] que é um tempo de vida típico de um cão de seu porte.[43]
Beagles podem estar propensos à epilepsia, mas isso pode ser controlado com medicação. O hipotiroidismo e alguns tipos de nanismo podem ocorrer em beagles. Duas condições em particular são exclusivas para a raça: Funny Puppy, em que o cachorro é lento para se desenvolver e, eventualmente, se desenvolve com pernas fracas, costas tortas e, embora normalmente saudável, propenso a uma série de doenças;[44] displasia da anca, comum em Harriers e em algumas raças maiores, raramente é considerada um problema nos Beagles.[45] Beagles são considerados uma raça condrodistrófica, o que significa que eles estão propensos a tipos de doenças do disco.[46]
Em casos raros, Beagles podem desenvolver artrite imunomediada poligênica (onde o sistema imunológico ataca as articulações), ainda quando novos. Os sintomas às vezes podem ser aliviados por meio de tratamentos com esteróides.[44]
Suas longas orelhas de abano pode significar que a orelha interna não receber um fluxo de ar substancial ou que o ar úmido fica preso e isso pode levar a infecções de ouvido. Beagles também podem ser afetados por uma série de problemas nos olhos; duas condições comuns oftalmológicas em beagles são o glaucoma e a distrofia corneana.[47] "Olho da cereja", um prolapso da glândula da terceira pálpebra, e distiquíase, uma condição na qual os cílios crescem no olho, causando irritação, por vezes acontecem; ambas as condições podem ser corrigidas com cirurgia.[44] Essa raça também pode sofrer de vários tipos de atrofia da retina. Falha do sistema de drenagem lacrimal podem causar olho seco ou vazamento de lágrimas no rosto.[44]
Como cães de campo, eles estão propensos a ferimentos leves como cortes e entorses, e, se for inativo, a obesidade é um problema comum, visto que eles vão comer enquanto a comida estiver disponível, portanto depende de seus proprietários a regulação do seu peso.[44] Ao correr livres, eles são também susceptíveis de apanhar parasitas, como pulgas, carrapatos, ácaros e vermes de colheita, e irritantes, como sementes de capim que podem ficar presas em seus olhos, orelhas ou patas.[48]
Beagles podem apresentar um comportamento conhecido como espirro reverso, em que soam como se estivessem asfixiando ou com respiração ofegante, mas na verdade estão apenas sugando o ar através da boca e do nariz. A causa exata desse comportamento não é conhecida, mas não é prejudicial ao cão.[20]
Variedades da raça
O American Kennel Club reconhece duas variedades distintas de beagle: a de 33 cm para cães com menos de 33 cm e a de 38 cm para aqueles entre 33 e 38 cm. O Canadian Kennel Club reconhece um único tipo, com uma altura não superior a 38 cm. O Kennel Club (Reino Unido) e os clubes filiados à Federação Cinológica Internacional (FCI) reconhecem um único tipo, com uma altura entre 33 e 41 cm.[20]
As variedades inglesa e americana são por vezes mencionadas. No entanto, não há reconhecimento oficial de qualquer organização cinológica para esta distinção. O padrão de beagles do American Kennel Club - que proíbe animais com mais de 38 cm - é menor, em média, do padrão do Kennel Club, que permite alturas de até 41 cm.[20]
Pocket beagles são publicitados para venda, mas a linhagem para esta variedade está extinta, e, embora o Kennel Club originalmente tenha especificado um padrão para essa variação em 1901, a variedade não é agora reconhecida por nenhuma organização cinológica. Muitas vezes, beagles pequenos são o resultado de uma criação deficiente ou de nanismo.[9]
A variedade conhecida como Patch Hounds foi desenvolvida por Willet Randall e sua família em 1896 especificamente para a caça ao coelho.[49]
Raças mestiças
Na década de 1850, Stonehenge indicou que um cruzamento entre um beagle e um terrier escocês era um retriever. Ele criou um cruzamento para ser um bom trabalhador, silencioso e obediente, mas tinha o inconveniente de que era pequeno e mal podia carregar uma lebre.[50]
Mais recentemente, a tendência tem sido voltada para a criação proposital de novas raças e uma das mais populares foi o cruzamento entre um beagle e um pug, conhecido como puggle. Menos empolgado do que um beagle e com uma menor necessidade de exercício, estes cães são mais adequados para ambientes urbanos.[51] Outro cruzamento de um beagle é o "Jack-a-Bee", uma combinação entre jack russell terrier com o beagle.[52]
O "labbe", ou "beagador", é um cruzamento entre o beagle e o labrador retriever. O cruzamento surgiu naturalmente a partir de cruzamentos em abrigos para cachorros. O labbe é um cão energético, que normalmente apresenta cor sólida, como o labrador (chocolate, preto, etc.) com branco no peito dos pés e, ocasionalmente, no queixo. O cão cresce até cerca do mesmo tamanho de um beagle grande e chega a até entre 30 e 40 quilos. A vantagem é ter a aparência e habilidade de um labrador retriever em um cão mais compacto e que é resistente a alguns problemas genéticos do labrador, e não são tão propensos a cair. No entanto, muitas vezes herdam dos beagles uma boa dose de teimosia.[53]
Existe também o "Beago" que é um cruzamento entre o Beagle e o Golden Retriever. Ambos os cães são muito carinhosos e fáceis de treinar.
Fotos e Variedades da Raça

